É tão revigorante imaginar uma jovem garota, aos 13 anos, correndo pela rua atrás da bolinha que o taco bateu. Observar a graça de ver a chuva cair naquele corpo quente de tanto correr, que parecia evaporar, ver as ondas dos cabelos soltos ao vento, parecendo uma mata inexplorada. E assim vai passando a adolescência, entre idas para escola, cumprindo obrigações, cada vez mais obrigações, mais compromissos e obrigações, e um dia tudo isso para de fazer sentido.E lá pelos seus 16 ou 17, aquele gosto pelos jogos, pela bolinha correndo, os dias de chuva e sol com casamento de espanhol, as risadas com as amigas e os passeios no shopping saem de cena e tudo parece ficar diferente. No primeiro momento, as pessoas percebem as diferenças, mas creditam aos novos hábitos, aos preparos para o vestibular, à nova fase da vida… Mas não era, não. Era uma sombra que vinha de dentro da alma, um porquê instalado no chip do cérebro que não havia resposta que fosse suficiente para alcançar aqueles vazios, uma escuridão no futuro, como naqueles filmes de terror, onde a mocinha se perde na floresta.Nesse ponto não há mais amanhecer, somente um final de dia frio e chuvoso. A saída é ficar onde se sente segura… Dentro do quarto. Quando se der conta, ou alguém de fora perceber, aquela garota já vai estar prestes a fazer parte das estatísticas de depressão na adolescência, ou pior ainda, à beira da morte, mas está tudo tão silencioso, que parece que ninguém está vendo o fim….Mas como evitar isso? Como não deixar uma jovem adolescente chegar ao ponto de entender que é hora da vida chegar ao fim? Qual é o tamanho da dor que essa garota tão cheia de vida pela frente sente? Essa é uma resposta difícil de encontrar. O fato é que houve um aumento de 160% de suícido entre jovens de 10 a 24 anos nas últimas duas décadas, coincidentemente, estamos nos anos em que as telas também tomaram conta da formação dessas pessoas. Claro que esse fato não é o único determinante para o aumento considerável, mas quando se fala de isolamento social, aumento de casos de bullying e violência no ambiente digital, realçamento das desigualdades sociais, que ficam ainda mais evidentes na internet, mesmo que tudo que se veja nem sempre seja real, aí as telas ganham um protagonismo sombrio.Tentar minimizar esse estrago não é tarefa fácil, mas é possível evitar que seja tão grande e também há tratamento para esse grande problema social. Incentive e acompanhe os e as jovens a viverem mais as vidas reais, inserindo esportes, lazer, artes e vida social de verdade, fora de casa. Dar atenção a qualquer mudança de comportamento, saber com quem esses jovens se relacionam dentro e fora da tela, limitar tempo de acesso ao mundo virtual e viver relações verdadeiras. Esses são elementos possíveis para se valer no combate à depressão e suicídio na adolescência, fique de olho desde o final da infância, lá pelos 8 a 9 anos. E se houver o menor sinal de perigo não duvide ou minimize o fato, procure ajuda médica urgente, porque pode não haver chance de fazer diferente amanhã.A Cacau sempre deseja saúde para você e para quem você ama. Beijo da Linda para você, até a próxima.

Deixe um comentário

Tendência