Nos bastidores do esporte feminino, um elemento ainda pouco discutido, mas que tem um impacto direto no desempenho, é o ciclo menstrual. Fadiga, dor, inchaço e alterações de humor são apenas alguns dos sinais que muitas atletas lidam durante os treinos ou competições.
Por muito tempo, o assunto foi considerado um tabu, algo que não se discutia em clubes, academias e vestiários. Atualmente, o ciclo menstrual é encarado de uma maneira diferente: como um meio para entender a si mesma e uma estratégia para melhorar o desempenho no esporte.
O corpo em movimento através das fases e efeitos:
O ciclo menstrual é composto por quatro etapas: menstrual, folicular, ovulatória e lútea. Cada uma delas causa alterações hormonais que podem influenciar a força, a energia e até a concentração da atleta. É normal sentir cansaço e desconforto físico durante a fase menstrual.
Durante a fase folicular, há um aumento do estrogênio, o corpo responde melhor aos treinos e a energia aumenta. Na fase ovulatória, o desempenho geralmente atinge seu pico, é o momento em que a atleta se sente mais forte, rápida e coordenada. Por último, na fase lútea, a retenção de líquidos e a fadiga se tornam mais comuns, demandando uma atenção maior em relação ao descanso e à alimentação.
A jogadora de vôlei Nyeme Costa, campeã pela Seleção Brasileira e uma das vozes que ajudam a quebrar o tabu sobre o tema, já falou abertamente sobre isso:
“A vergonha da menstruação não pode afastar ninguém da prática de esportes. Porque menstruadas ou não podemos conquistar muitas coisas, inclusive sermos campeãs.”
Por que é importante falar sobre isso?
Discutir o ciclo menstrual no esporte é quebrar um tabu de longa data. Durante muitos anos, o corpo feminino foi considerado um obstáculo a ser “superado” para alcançar o desempenho masculino. Porém, essa perspectiva está mudando, e com justificativa.
Ignorar o ciclo é como treinar sem enxergar. Cada fase traz sinais importantes que ajudam a entender quando o corpo está pronto para treinar com mais intensidade e quando precisa de pausa. Ao identificar esses momentos, as atletas aumentam o controle sobre seu desempenho e diminuem o risco de lesões e excesso de carga.
Discutir o tema também implica criar ambientes esportivos mais saudáveis. Quando o assunto é abordado de forma natural, treinadores e preparadores físicos conseguem entender melhor as demandas das atletas. Isso abre espaço para diálogos sinceros, planejamento personalizado e uma convivência mais solidária entre os membros das equipes.
E, talvez o mais importante: discutir o ciclo é normalizar o corpo feminino, reconhecer que ele possui ritmos próprios e que isso não o torna fraco, apenas distinto.
O corpo como aliado:
O futuro do esporte feminino reside em respeitar o corpo, e não em combater contra ele. O ciclo menstrual transforma-se de um obstáculo em uma ferramenta de autoconhecimento e estratégia.
Quando as atletas compreendem suas fases, elas podem ajustar os treinos e aproveitar cada momento de maneira mais eficaz. Em dias de alta energia, eles buscam aprimoramento técnico e força; em momentos de baixa disposição, priorizam a recuperação e a concentração mental.
Essa mudança de perspectiva altera não apenas o desempenho, mas também a forma como a mulher se relaciona com seu próprio corpo. Força não é ignorar a dor; é reconhecê-la, respeitá-la e seguir em frente de maneira consciente.
O corpo da mulher é cíclico, poderoso e inteligente. E quando o esporte aprende a ouvi-lo, a performance se torna mais autêntica, mais equilibrada e muito mais real.






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