Imagine uma pessoa curiosa. Agora multiplique por muitas vezes. Essa sou eu! Uma mulher que nasceu curiosa. Aí você vai rir de canto de boca e se perguntar como eu sei que nasci curiosa? Minha resposta é simples: todas as pessoas que eu conheço nesse mundo falam algumas coisas sobre mim, umas eu gosto de ouvir, outras nem tanto, mas CURIOSA é um adjetivo que aparece de forma recorrente. E desse eu gosto muito.Sendo assim desde jovem, e aqui já são minhas memórias, eu sempre questiono os porquês, porque para nós, os curiosos de nascença, perguntar é nosso combustível, e ser jornalista, que vive de perguntar, surgiu na minha vida muito antes da faculdade, quando minha avó, que dizia que eu era sabida, e colocava o dedo em riste para enfatizar isso, era a minha principal fonte das coisas que eu queria saber. Eram entrevistas intermináveis, com mil perguntas diretas e cruzadas, porque, é lógico, que da minha pergunta principal sempre surgiam outras tantas, e ela, pacientemente, sempre me respondia uma a uma, sem a menor pressa.
Nesses longos papos que duravam tardes inteiras, eu, ainda adolescente, tinha acesso às histórias de família, contos e causos próprios de quem já viveu muito, e aqui minha vó já era uma senhora de uns 70 anos, mas exercendo o frescor do seu espírito ainda jovem dividia seus saberes, muitos saberes, e entre eles os cuidados com a saúde. Eram coisas que ela dizia que pareciam tão esquisitas, como não ir para a educação física quando estava ‘incomodada’, não dar pulos muito altos nesse período, porque ambas podia dar varizes. Não comer alguns alimentos nesse período porque podia deixar o sangue sujo e dar mal cheio, e por aí ia. Claro que hoje, estando ainda distante da idade que minha avó tinha quando eu nasci, mas contando mais de meio século de vida, eu entendo que ela estava me ensinando a preservar o meu corpo feminino. Pode ser, e na maior parte dos casos é, um tanto de sabedoria, um tanto de folclore próprio de quem não conhecia bem de ciência, mal sabia ler e escrever, mas sempre foram ensinamento valiosos.
Principalmente, porque eu gastava tempo com ela. Dentre essas coisas ensinadas, usar produtos vindos diretamente da natureza era o principal deles. Para tudo minha avó tinha um chá, um remédio, uma poção mágica. Nunca tratamos assim, mas que era, ahhh, isso era. Como você ainda está me imaginando nessa conversa com minha vó, pense que quando a gente se ralava, porque caímos de bicicleta ou escorregava em algum lugar, ela vinha com uma mão cheia de sal com um pouco de água e tacava em cima do machucado. A gente via até Jesus Cristo na Santa Ceia, mas as bactérias ou outros seres infecciosos também viam, mas como não tinham força para resistir à mão de sal, morriam. Nada de infecção nos pegava, resultado: sistema imunológico estava em dia. Outra técnica infalível era usar as compressas e massagem. Tinha um roxo em algum lugar, vinha a minha avó macerando folha, botando um óleo sei lá de que e tacava em cima do roxo, botava um pano e amarrava. Tinha coceira na cabeça, vinda de seres indesejados ou não, lá ia ela com vinagre branco, sei lá que tipo de semente venenosa e aquele fedo na cabeça por horas. Final da tarde, lavava o cabelo com sabão, uma boa camada de óleo de amêndoas no pós banho e deixava até o outro dia, resultado: cabelos brilhantes. A máxima da minha vó era a água morna.
Assistindo aos meus draminhas orientais, sempre vejo as pessoas bebendo água morna me lembra a minha avó. Ela dizia que a água muito gelada, que na verdade era somente fria ou em temperatura ambiente, dava choque térmico, que era ruim para o estômago e para o intestino, então, era água morna com limão para cortar enjoo, para diminuir a acidez do estômago, chá para dormir melhor, chá para tirar ansiedade, chá para acordar melhor e ter um dia produtivo, chá para tudo…O fato é que de todo o trabalho que minha avó tinha para se manter saudável levou ela aos 98 anos de idade, com muita lucidez, que só foi perdendo poucos dias antes de morrer.
Viveu uma vida ligada à terra, me ensinou que não são um monte de produtos industrializados que dão conta de manter a saúde, mas que remédio e a ciência estão lá para nos auxiliar. A responsabilidade de se manter saudável é sempre sua. Então, vambora? E, para esclarecer os fatos, incomodada ficava a nossa avó, como dizia um velho comercial, mas menstruada, ficamos todas.
A Cacau sempre deseja saúde para você e para quem você ama.
Beijo da Linda para você, até a próxima.






Deixe um comentário