Por décadas, o futebol foi considerado um domínio masculino, desde as arquibancadas até as cabines de transmissão. Porém, esse cenário vem se alterando. Cada vez mais mulheres se destacam dentro e fora de campo: elas são dirigentes, jornalistas, técnicas e produtoras que contribuem para o desenvolvimento do futebol brasileiro em todos os setores.

Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), houve um aumento de 45% no número de mulheres ocupando posições técnicas, de gestão e comunicação esportiva nos últimos cinco anos. Essa informação integra um estudo divulgado pela entidade em 2024, que evidencia o crescimento de mulheres atuando em comissões técnicas e na administração de clubes e federações.

Ademais, de acordo com um estudo da Datafolha (2023), 63% dos brasileiros demonstram interesse pelo futebol feminino, percentual que aumenta para 76% entre os jovens de 16 a 24 anos. Esse interesse se reflete diretamente na representatividade no esporte.

Embora tenha havido progresso, a participação de mulheres em posições de liderança ainda é modesta. Uma pesquisa do UOL Esporte (2024) revelou que, dos 117 cargos de liderança nos clubes das Séries A e B, 116 são ocupados por homens. Em outras palavras, as mulheres ocupam menos de 1% dos cargos de alto nível no futebol brasileiro.

O número nos bancos de reservas também é reduzido. De acordo com o relatório da FIFA (2025), apenas 22% das equipes femininas no mundo contam com treinadoras do sexo feminino. No Brasil, apenas quatro dos 16 clubes da Série A1 do Brasileirão Feminino têm mulheres no comando técnico das equipes.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras desde 2021 e primeira mulher a ocupar o cargo na história do clube, é um dos nomes mais reconhecidos dessa transformação. Ela também está entre as raras dirigentes de clubes da Série A masculina.

O futebol feminino oferece outros exemplos. Em 2021, a técnica Lindsay Camila fez história ao se tornar a primeira mulher a ganhar o título da Libertadores Feminino. Em entrevista à CBF TV, ela recordou os obstáculos que teve de superar no começo da carreira:

“Quando comecei, me perguntavam se eu não preferia treinar meninos pequenos. Hoje, ver outras mulheres acreditando que podem estar onde quiserem é a maior conquista.”

As arquibancadas também sofreram alterações. Organizações como as Gaviões Femininas (Corinthians) e FluDelas (Fluminense) estabeleceram ambientes seguros para mulheres apaixonadas por futebol que, por muito tempo, se sentiram ameaçadas ou marginalizadas.

De acordo com um estudo realizado pelo portal Torcedores.com (2025), Flamengo e São Paulo são os clubes com o maior número de torcedoras, sendo que quase metade de suas respectivas bases de fãs é composta por mulheres. Esse envolvimento destaca a importância das mulheres não só como espectadoras, mas também como participantes ativas na cultura esportiva.

Os números e narrativas indicam que o futebol brasileiro está passando por uma nova fase. As mulheres estão mais ativas, tanto nas arquibancadas quanto nos microfones, nas comissões técnicas e nas diretorias.

No entanto, a batalha por espaço, respeito e igualdade ainda está longe de ser concluída. Elas não são apenas torcedoras, são componentes fundamentais do mecanismo que faz o futebol funcionar. O jogo permanece o mesmo, porém a equipe responsável pela sua construção está se transformando. E, gradualmente, o placar começa a mudar.

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