No cenário esportivo nacional, cada vez mais mulheres estão mostrando que a maternidade não significa o fim de uma carreira, e que é possível equilibrar treinos, competições e filhos. Histórias reais de atletas que enfrentam esse desafio revelam como o esporte e a maternidade se entrelaçam de forma inspiradora.

Desafios e direitos em evolução

Sancionada em 2023, a Lei n.º 14.614 assegura que atletas grávidas ou em período pós-parto continuem recebendo o Bolsa Atleta, abrangendo até seis meses após o nascimento. Essa mudança tem como objetivo garantir que as mulheres não desistam de competir por causa da maternidade.

Conforme mencionado pela marchadora Érica Sena: “Recebo muitas mensagens de mulheres e mães com diversas perguntas… além de mensagens de apoio em relação ao meu retorno aos treinos.” Ela também declarou que receber suporte para seguir treinando após a gravidez a deixou mais tranquila e incentivada.

Histórias de retorno

Ágatha Bednarczuk — vôlei de praia

A medalhista olímpica de vôlei de praia, Ágatha Bednarczuk, se tornou mãe e seguiu competindo. Em entrevista, ela contou:

“Eu sempre tive o sonho de ser mãe, mas eu nunca imaginei que estaria jogando ao mesmo tempo … tudo que eu venho vivendo hoje em dia tem sido uma surpresa.” Ágatha também falou sobre a logística do dia a dia: acordar para amamentar antes de ir treinar e deixar leite para mais tarde — “criei esse tipo de logística no meu dia a dia para conseguir estar ao lado da Kahena e conseguir treinar”, explicou. Sobre engravidar em uma etapa da carreira:“Quando descobri que estava grávida, senti medo … a atleta escuta que engravidou de propósito … me deram confiança de que eu poderia continuar jogando.” Além disso, ela afirmou:“Ser mãe é uma das maiores e melhores coisas da vida … adiei tanto essa vontade porque eu sabia que eu queria me entregar muito pra viver esse sonho.”

Pri Heldes — voleibol de quadra

A levantadora Pri Heldes, do Fluminense, jogou até quase seis meses de gestação. Ela disse:

“A primeira coisa que eu fiz, quando descobri que estava grávida, foi procurar acompanhamento médico … isso me deu confiança de que eu poderia continuar jogando.” Pri também falou do acolhimento do clube e das companheiras:“Desde que contei para o clube e para as minhas companheiras … todos receberam a notícia muito bem … o apoio do clube e das outras atletas me deu confiança.” Pensando no filho, ela concluiu:“Guardei os vídeos e fotos dos últimos jogos para mostrar para ele … ‘Olha só, filho. Você jogava vôlei comigo antes de nascer’.”

Érica Sena — marcha atlética

Além de lutar por seus limites nos 20km de marcha, Érica Sena viveu a maternidade na elite esportiva: ela teve seu filho em junho de 2022 e retornou aos treinos para disputar a Olimpíada de Paris. Falando sobre seu retorno, ela declarou:

“Eu tive apoio da minha equipe e da minha família … pude voltar a treinar. Hoje encerro meus últimos Jogos Olímpicos muito feliz, com coração cheio de gratidão.”

Por que essas vozes importam?

  • Essas atletas mostram que a maternidade não é incompatível com o alto rendimento, embora ainda existam obstáculos estruturais;
  • As falas de Ágatha, Pri e Érica ajudam a desmistificar a ideia de que engravidar significa sair da carreira — ao contrário, muitas mulheres voltam com mais propósito;
  • As mudanças legais, como a proteção do Bolsa Atleta para gestantes e mães, são vitais para criar mais segurança e liberdade para ter filhos sem sacrificar sonhos esportivos.

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