Na última sexta feira dia (14/11) teve o início da exposição Tybyras: Caminhos de uma Amazônia Queer, do artista visual Henrique Montagne. A amostra tem a intenção de trazer à tona a discussão sobre gênero e sexualidade nos povos originários.
Apresentando desenhos e fotografias que representam a identidade queer entre o povo Tupinambá, propondo trazer de volta – mesmo com a falta de documentação do assunto, as histórias reais. A exposição evidencia como natureza, corpo e identidade se entrelaçam.
Segundo o próprio Montagne, “O colonialismo colocou a gente, como humano, num lugar e a natureza em outro. Se a natureza está distante de mim, eu posso explorar ela, eu posso tirar tudo dela ao meu bel favor, né? Então, na verdade nós somos uma coisa só. Se eu estou explorando ela, estou me explorando…”
A inspiração da amostra vem de Tibira do Maranhão, considerado o primeiro ndigena morto por não se integrar ao padrão de gênero e sexualidade não normativa. O termo “Tibira” é utilizado por povos indígenas da costa brasileira para pessoas que fogem da normatividade. Pela falta de documentação, alguns termos tiveram que ser adaptados, assim o termo “queer” passou a ser utilizado, já que é mais amplo, abrangendo todas as sexualidades.
Para Henrique, foi muito importante representar esses corpos em uma posição de felicidade, levando em consideração que em nossa sociedade pessoas LGBTQIAPN+ são tidas como em um sofrimento constante, sempre em busca de um final mais confortável, mais feliz.
O artista ao ir atrás dos indivíduos que queria representar, territórios ancestrais da Amazônia Paraense, como Belém, Ilha do Marajó, Carajás e Tapajós, e pela sensibilidade da situação, até criar amizades. “Para esse trabalho, eu não tinha outra forma a não ser virar amigo dessas pessoas, porque você precisa ter cuidado. Por muito tempo a arte foi usada para demonstrar pessoas minorizadas como exóticas”, cita ele.
Toda a amostra está ocorrendo no Museu da Diversidade Sexual, para a instituição a exposição amplia o debate sobre diversidade e meio ambiente. Principalmente em um momento emblemático com a COP 30 e a atenção voltada para a Amazônia. Beatriz Oliveira, gerente de conteúdo do Museu da Diversidade Sexual, destaca: “Ao trazer ‘Tybyras’ para o MDS, reafirmamos nosso compromisso com a visibilidade das múltiplas identidades que compõem o Brasil. Essa exposição amplia o diálogo entre arte, memória e direitos humanos, ao mesmo tempo em que provoca uma reflexão urgente sobre a relação entre diversidade e preservação da vida em todas as suas formas”

Exposição: “Tybyras: Caminhos de uma Amazônia Queer”
Exibição: A partir de 14 de novembro
Local: Museu da Diversidade Sexual (Metrô República – Saída Arouche – Praça da República, 299 – República, São Paulo – SP)
Horário: De terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: Gratuitos, na bilheteria do MDS e na plataforma Sympla











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