Com o passar dos anos, especialmente após os 40 e 50 anos, o corpo da mulher sofre mudanças significativas, como redução hormonal, perda de massa muscular, mudanças no metabolismo e aumento do risco de doenças crônicas. Nesse contexto, a realização constante de exercícios físicos se destaca como uma das ações de saúde mais eficientes, de acordo com entidades internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM).

A OMS ressalta que as mulheres que se mantêm fisicamente ativas têm menor probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e osteoporose. Por outro lado, o ACSM indica que a perda de massa muscular pode variar de 6% a 8% por década após os 40 anos. No entanto, essa perda pode ser controlada ou revertida com treinamento de força. Além disso, atividades aeróbicas como caminhada, natação, corrida leve e dança podem reduzir em até 30% o risco de doenças cardíacas, principal causa de morte entre mulheres no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.

Outro ponto fundamental é o impacto emocional. A ginecologista Dra. Albertina Duarte Takiuti, referência nacional em saúde da mulher, reforça que o exercício ajuda no controle dos sintomas da menopausa, como oscilações de humor, ondas de calor e dificuldade para dormir:

“A atividade física melhora o humor, a disposição e auxilia no controle do peso, que tende a oscilar nesse período”, afirma.

A saúde emocional e o corpo estão interligados. Pesquisas globais indicam que mulheres ativas apresentam menores níveis de ansiedade, depressão e insônia. Ademais, o crescimento da massa muscular diminui dores nas articulações, melhora o equilíbrio e reduz o risco de quedas — um fator especialmente importante após os 50 anos.

Para muitas mulheres, o retorno ao esporte nessa fase da vida também é um gesto de autonomia. A empresária Cláudia Ribeiro, 52 anos, retomou a musculação depois de mais de duas décadas sem treinar:

“Recuperei força, parei de sentir dores e voltei a me sentir dona do meu corpo. É uma sensação de recomeço”, conta.

As diretrizes oficiais da OMS sugerem que se faça, no mínimo, 150 minutos de exercícios moderados por semana, divididos entre atividades aeróbicas, fortalecimento muscular e práticas de equilíbrio. Especialistas alertam que esse hábito não precisa começar de forma intensa: caminhadas regulares, aulas leves, pilates, hidroginástica e musculação guiada já trazem benefícios significativos.

Além do benefício clínico, o esporte ajuda a fortalecer a rede social dessas mulheres. Atualmente, aumenta a quantidade de grupos femininos de corrida, caminhadas em parques, aulas coletivas e treinos funcionais direcionados exclusivamente para o público acima de 40 anos. Essa interação gera um ambiente de suporte, pertencimento e motivação constante — elementos que aumentam o engajamento e melhoram a qualidade de vida.

A consolidação de pesquisas científicas e depoimentos de especialistas evidencia que a prática esportiva é essencial para mulheres na faixa dos 40 e 50 anos. Ele desempenha um papel fundamental na prevenção de doenças, no fortalecimento físico, no equilíbrio emocional e na promoção da autonomia. Em um país com uma expectativa de vida em crescimento, envelhecer de forma saudável depende de decisões cotidianas — e a atividade física é uma das mais relevantes.

Para muitas mulheres, a prática de exercícios vai além de cuidar do corpo: é um meio de reconstruir a autoestima, resgatar o bem-estar e vivenciar essa etapa com autonomia e energia. Assim, o esporte não só aumenta a expectativa de vida, mas também melhora a qualidade de vida.

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