Ao longo da história as mulheres travaram diversas lutas pela reivindicação de seus direitos, entre eles, os de melhores condições de trabalho. Atualmente no Brasil, o regime de trabalho CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) concede direitos trabalhistas para as mulheres. Eles ajudam no cuidado com a saúde das colaboradoras e na diminuição da desigualdade de gênero.

Dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o evento que fez essa ser a data escolhida para comemorar o dia das mulheres está ligado à luta delas por direitos trabalhistas.

Em 1917, as russas iniciaram uma greve para reivindicar o direito ao voto feminino, o fim da guerra civil na Rússia e melhores condições de vida e de trabalho. Pouco tempo depois o parlamento russo concedeu o direito do voto feminino, essa conquista influenciou mulheres no mundo todo a lutarem por seus direitos.

Foi a partir desse momento que as mulheres passaram a ser inseridas na vida política e ter uma maior representatividade para conquistar direitos. “Sem essa representatividade, a gente não conseguiria ter acesso a alguns direitos que temos hoje, como, por exemplo, o direito de votar, que aí começa lá na Rússia em 1917” explica a professora de história, Kátia Bianchi.

No Brasil o voto feminino foi permitido em fevereiro de 1932 e desde então as mulheres conseguiram adquirir outros direitos importantes, entre eles, direitos que asseguram uma melhor condição de trabalho.

Alguns dos direitos trabalhistas das mulheres previstos por lei são: Equidade salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo, direito a 15 minutos de repouso a cada hora extra realizada, licença maternidade remunerada e 30 dias de estabilidade após o retorno, direito a intervalo para amamentação, não poder trabalhar dois domingos seguidos e não poder trabalhar em local insalubre caso esteja gestante, nesse último caso a colaboradora ainda pode continuar recebendo o adicional de insalubridade.

A maioria desses direitos contribuem no cuidado com a saúde física e mental das trabalhadoras ao garantir um período de descanso após uma longa jornada de trabalho e ao determinar que gestantes e novas mães não precisem se preocupar em perder a fonte de renda com a estabilidade e o recesso remunerado.

No entanto, apesar desses direitos serem garantidos por lei, nem sempre eles são cumpridos. A profissional de Recursos Humanos, Lorraine Valentt, explica que as empresas ainda parecem apresentar alguma resistência nesse quesito. “Mas eu acredito que existe alguma resistência sim, principalmente na igualdade salarial e também na questão de oportunidade de crescimento”. Segundo ela, em comparação com os colaboradores homens, as mulheres têm menos oportunidade de crescimento, mas ela diz que esse cenário vem mudando aos poucos “Com o apoio da legislação, eu acredito que nós tivemos avanços”.

A advogada trabalhista, Katia Bargieri, explica sobre a importância das trabalhadoras conhecerem os seus direitos para não serem enganadas. Ela conta que a maioria dos casos que ela atende são de gestantes que foram dispensadas durante a gravidez.

Em segundo lugar vêm os casos de assédio moral e sexual, este último sendo o mais difícil de comprovar, “O sexual é muito complicado de comprovar, porque há uma resistência das mulheres em expor. Primeiro, porque elas são vítimas, mas elas não são vistas como vítimas, elas são vistas como mulheres muito simpáticas. A culpa recai sobre elas”. Segundo Kátia, nesses casos as vítimas têm medo de expor o acontecido até mesmo para ela.

Logo após os casos de assédio, o terceiro caso mais atendido pela advogada é o de burnout, que é um distúrbio emocional causado pelo excesso de trabalho. “Eu tenho casos de mulheres que trabalham sob pressão, cumprimento de metas, trabalhando com três ou quatro monitores ao mesmo tempo, atendendo”. Nesses casos é mais fácil de comprovar através de e-mails, mensagens de WhatsApp e testemunhas, explica Kátia.

Diante desse cenário é importante que cada vez mais empresas demonstrem cuidado com os seus colaboradores e ofereçam um acolhimento além das obrigações trabalhistas, algumas medidas que podem ser tomadas são os benefícios como o “Total Pass” aplicativo que dá desconto em academias e em aplicativos de meditação, o auxílio creche, plano de saúde e um horário flexível.

Outros benefícios que as empresas podem oferecer visando a diminuição da desigualdade de gênero são programas de incentivo à liderança feminina. Ao oferecer esses benefícios as empresas aumentam a valorização da mulher no ambiente de trabalho e fazem com que as colaboradoras se sintam respeitadas.

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