Frutas, legumes, objetos e eletrodomésticos estão “falando” e, em muitos casos, reclamando. Vídeos produzidos com inteligência artificial, dão voz e personalidade a alimentos e objetos do cotidiano, vem se espalhando rapidamente pelas redes sociais, misturando humor e informação, ao mesmo tempo, o fenômeno levanta questionamentos sobre a veracidade das dicas apresentadas.
Em conteúdos que viralizam principalmente no Instagram e no TikTok, os alimentos aparecem com expressões humanas e discursos bem-humorados. Em um dos exemplos mais populares, a casca de banana pede para não ser jogada fora e sugere virar adubo. Em outro, um pão de forma “reclama” de ser guardado na geladeira, afirmando que o frio o deixa “duro e sem graça”.
A estética divertida ajudou a impulsionar perfis dedicados exclusivamente a esse formato. Em comum, os vídeos trazem alimentos e objetos “ranzinzas” ensinando como devem ser usados ou armazenados, quase sempre sem indicar fontes técnicas ou científicas.
O levantamento feito pelo G1, aponta que parte desses conteúdos foi criada com o Veo 3, ferramenta de geração de vídeos ultrarrealistas do Google, já conhecida por outras produções virais ao longo de 2025. Embora também existam vídeos com eletrodomésticos e itens de limpeza, a maioria das publicações envolve alimentos como frutas, legumes, massas e pães.
No TikTok, hashtags como #alimentosfalantes já reúnem centenas de vídeos. Nos comentários, as reações variam: enquanto alguns usuários se divertem com as “broncas” e há também quem questione a veracidade dos conselhos.
Segundo, Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, a humanização dos objetos pode gerar uma falsa sensação de autoridade.
“Quando uma geladeira ‘fala’, o cérebro pode interpretar que ela sabe automaticamente como conservar os alimentos, mesmo quando a informação não tem base técnica”, explica.
A especialista alerta que algumas regras apresentadas nos vídeos são duvidosas, especialmente sobre conservação de alimentos, e reforça a importância de checar as informações antes de segui-las. Ainda assim, ela reconhece o poder da linguagem acessível. “Conteúdos narrativizados, gamificados ou até infantilizados tendem a engajar mais do que orientações formais, como as de órgãos oficiais”, afirma.
Além das dicas, o fenômeno impulsionou uma nova tendência, os usuários passam a seguir, em tom de brincadeira, os “conselhos” dados pelos alimentos falantes, como se eles fossem personagens recorrentes.
Esse tipo de vídeo também se conecta ao chamado brain rot, termo usado para descrever o desgaste mental causado pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais nas redes. A expressão ganhou tanta popularidade que foi eleita a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford.
O brain rot se consolidou especialmente em plataformas como TikTok e YouTube, com vídeos que apresentam objetos ou animais humanizados em narrativas simples e repetitivas. Personagens como um tubarão de tênis, uma xícara bailarina ou até uma tábua com taco fazem parte desse universo.
Apesar de geralmente não transmitirem informações úteis, esses vídeos seguem uma lógica de continuidade, como se cada postagem fosse um novo episódio de u






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