A Floresta Petrificada do Cariri está localizada no município de Missão Velha, há mais de 500 km da capital cearense e abriga um acervo histórico. Nela há árvores fósseis  que viveram em um cenário que hoje é quase inacreditável para o estado do Ceará.

 Simulação do município de Missão Velha há milhões de anos, baseada em dados geológicos e paleoclimatológicos.

Imagem: Diário do Nordeste/Reprodução

Os continentes que hoje conhecemos carregam uma herança continental de bilhões de anos chamada crátons, núcleos antigos preservados em seus interiores. Esses núcleos já fizeram parte dos continentes milenares: Vaalbara, há 2,9 bilhões de anos; Superia 2,7 bilhões de anos atrás e Sclavia, há 2,6 bilhões de anos. Cientistas acreditam também na existência do Protópangeia, a qual reunia todos os núcleos continentais antigos, há 2,5 bilhões de anos.

Embora a Pangeia seja o supercontinente mais conhecido, houveram anteriormente três formações geográficas que constituem a história do planeta Terra. Inicialmente, há 1,7 bilhões de anos formava-se a Columbia, o primeiro supercontinente. Posteriormente, formou-se Rodínia (do russo, Terra Mãe) há um bilhão de anos. E antes de colidir-se com a América do Norte, Europa e Sibéria, dando origem à Pangeia, houve a Gondwana.

As árvores presentes no Geopark Araripe fazem parte de um passado no qual o Brasil era ligado à África, Índia, Austrália e Antártica, na formação do Gondwana. Essa formação geográfica durou mais de 350 milhões de anos. No blog Deriva Continental, Renata Schmitt e Evânia da Silva do Centro Digital Gondwana de Geoprocessamento da UFRJ, afirmam que investigar a história e evolução do supercontinente é crucial para entender o passado, presente e futuro do planeta.

As peças encontradas no sertão cearense passaram pelo processo de fossilização que, no livro “Guia de aulas práticas, uma introdução ao estudo dos fósseis”, da Universidade de São Paulo, é definido pelos autores em três etapas. Primeiramente, necessita haver a existência de partes esqueléticas mineralizadas, os troncos no caso das árvores. Após isso, há a rápida proteção feita por sedimentos como areia e lama. Por fim, a ação da água e dos ventos contribuem na transformação dessas árvores em rochas.

Troncos de árvores fossilizadas encontradas no Ceará.

Imagem: Diário do Nordeste/Reprodução

Houve também o registro da espécie Agathoxylon Mendezii, um tipo de madeira conífera, hoje extinta. A preservação dessas árvores contribuem para a ciência e para a investigação da história do planeta Terra.

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