Desfilar no Carnaval é, antes de tudo, uma manifestação cultural. Mas o esforço físico envolvido é real. Integrantes de escolas de samba, especialmente passistas, ritmistas e componentes de alas que permanecem longos períodos em movimento, ficam expostos a desgaste físico semelhante ao de atividades prolongadas de intensidade leve a moderada.

Nos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, uma apresentação no sambódromo pode durar mais de uma hora para cada escola, considerando o tempo de concentração, deslocamento, permanência em pé e o desfile propriamente dito. Durante esse período, muitos componentes caminham, dançam e permanecem em atividade contínua, muitas vezes com fantasias pesadas e sob altas temperaturas.

Resistência física é o principal desafio

O maior desafio para quem desfila não é a intensidade do movimento, mas a resistência. Manter o ritmo por um período prolongado exige preparo cardiovascular básico, além de força nas pernas e estabilidade do tronco para sustentar a postura durante o desfile. Ritmistas, por exemplo, ficam longos minutos tocando instrumentos em movimento, o que exige resistência muscular de braços, ombros e costas.

Esse esforço é potencializado pelo peso das fantasias e adereços. Em algumas alas, os figurinos podem ultrapassar vários quilos, o que aumenta a sobrecarga nas articulações e contribui para a fadiga muscular ao longo do percurso.

Treinos e ensaios ajudam o corpo a se adaptar

Os ensaios técnicos e de quadra das escolas de samba não têm apenas função artística: eles ajudam o corpo a se adaptar ao tempo prolongado em pé e em movimento. A repetição dos passos, da evolução na avenida e do deslocamento em grupo melhora a coordenação e reduz o risco de dores musculares no dia do desfile.

Não há um “protocolo oficial” único de preparação física para os desfiles. O nível de preparo varia conforme a função de cada componente e a estrutura de cada escola. Em geral, a própria rotina de ensaios já funciona como um período de adaptação progressiva ao esforço que será exigido no Carnaval.

Riscos reais durante o desfile

O desgaste físico prolongado, somado ao calor, ao nervosismo e, em alguns casos, ao consumo inadequado de líquidos, aumenta o risco de desidratação, cansaço extremo, queda de pressão e câimbras. Serviços médicos presentes nos sambódromos costumam registrar atendimentos por mal-estar, especialmente em noites mais quentes.

Outro fator relevante é o tempo em pé. Permanecer muitas horas sem pausas adequadas pode provocar inchaço nas pernas, desconforto nos pés e dores lombares. Calçados pouco adequados e fantasias mal ajustadas também contribuem para pequenas lesões, como bolhas e escoriações.

Cuidados básicos para reduzir problemas

Recomendações gerais de saúde para quem desfila incluem:

  • Hidratação antes, durante e após o desfile;
  • Alimentação adequada nas horas que antecedem a apresentação;
  • Uso de calçados e figurinos bem ajustados;
  • Atenção aos sinais do corpo, como tontura, fraqueza e dor intensa.

Essas medidas não eliminam o esforço físico, mas ajudam a reduzir riscos comuns associados a longos períodos de atividade contínua.

Cultura, espetáculo e esforço físico

O desfile no Carnaval é um espetáculo artístico e cultural, não uma competição esportiva. Ainda assim, reconhecer o preparo físico necessário para permanecer horas em movimento ajuda a valorizar o trabalho dos componentes das escolas de samba e a dimensão do esforço envolvido na apresentação. O corpo é parte fundamental da performance, e os cuidados com a saúde são essenciais para que a festa aconteça com segurança.

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