Pesquisas mostram que a resposta está longe de ser simples, e desafiam estereótipos de gênero ainda muito presentes na sociedade.

Empatia cognitiva: capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos e pensamentos de outra pessoa.

Empatia afetiva: habilidade de reagir emocionalmente ao que o outro sente

Diversos estudos indicam que, em média, mulheres pontuam um pouco mais alto em testes de empatia. O psicólogo britânico Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, defende que fatores biológicos, como a exposição à testosterona ainda no útero, podem influenciar essas diferenças. 

Segundo ele, o chamado “cérebro feminino” tenderia a ser mais voltado à empatia, enquanto o “cérebro masculino” seria mais orientado à sistematização. No entanto, essa visão é alvo de críticas. Biologia ou construção social?

A neurocientista britânica Gina Rippon questiona a ideia de que exista um “cérebro feminino” naturalmente mais empático. Para ela, o cérebro infantil é altamente moldável e responde fortemente às influências do ambiente.

Uma meta-análise publicada em 2025, reunindo 31 estudos com bebês de apenas um mês de idade, não encontrou diferenças significativas entre meninos e meninas na atenção aos rostos, ou na reação ao choro de outros bebês. Isso sugere que as diferenças não são inatas.

Já um grande estudo genético conduzido por Varun Warrier, com mais de 46 mil participantes, indicou que a genética explica apenas cerca de 10% da variação individual na empatia  e os genes associados não estavam ligados ao sexo biológico. Ou seja, fatores ambientais parecem ter peso decisivo.

Desde cedo, meninas costumam ser incentivadas a demonstrar sensibilidade e cuidado. Recebem brinquedos ligados ao cuidado e são ensinadas a evitar comportamentos agressivos. Já os meninos são frequentemente estimulados à autonomia, competitividade e racionalidade.

Essa diferença de expectativas pode influenciar o desenvolvimento e a expressão da empatia ao longo da vida.

Pesquisas também indicam que o poder influencia a empatia. Pessoas em posições de menor poder econômico ou social tendem a desenvolver maior habilidade para identificar emoções alheias. Historicamente, como os homens ocupam mais posições de poder, isso pode ter impactado os níveis médios de empatia observados.

Um ponto central defendido por especialistas é que a empatia não é um traço fixo. Ela pode ser desenvolvida.

O neurologista Nathan Spreng, da Universidade McGill, afirma que a empatia é dinâmica e moldada pelas experiências ao longo da vida.

Um estudo neurológico de 2023 mostrou que homens e mulheres apresentaram reações cerebrais semelhantes diante de imagens de dor. No entanto, em questionários de autorrelato, os homens pontuaram menos, exceto quando foram previamente informados de que homens também costumam ser bons em compartilhar sentimentos. Nessa condição, a diferença desapareceu.

Outro experimento revelou que, quando havia recompensa financeira para identificar corretamente emoções alheias, homens e mulheres tiveram desempenho semelhante. Isso sugere que motivação e expectativa social influenciam fortemente os resultados.

A ideia de que mulheres são “naturalmente empáticas” e homens “naturalmente racionais” têm impactos concretos.

Mulheres podem ser vistas como menos adequadas para cargos de liderança, já que liderança ainda é associada a traços considerados masculinos, como dominância e assertividade. Por outro lado, homens podem enfrentar barreiras para expressar emoções e buscar apoio, fator relacionado às maiores taxas de suicídio entre o público masculino.

Especialistas defendem que repensar esses estereótipos pode contribuir para relações mais equilibradas e saudáveis. O sociólogo Niall Hanlon argumenta que uma masculinidade que inclua cuidado e interdependência pode trazer benefícios para homens, mulheres e crianças.

A ciência aponta que as diferenças médias existem em alguns estudos, mas são pequenas e a variação dentro de cada gênero é muito maior do que entre homens e mulheres.

A empatia parece resultar de uma combinação complexa de fatores biológicos, sociais, culturais e motivacionais. Mais do que uma característica fixa ligada ao sexo, trata-se de uma habilidade moldável ao longo da vida.

E isso abre espaço para uma conclusão importante: empatia não é “coisa de mulher”. É uma competência humana, e pode ser desenvolvida por qualquer pessoa.

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