Durante o crescimento de uma garota, é comum ouvir ao seu redor curiosos comentários. Ser uma garota nessa sociedade é entender que tudo o que está reservado a você vai ser considerado estranho, inferior ou demais.
A partir do momento em que os papéis de gênero foram sendo introduzidos aos poucos na sociedade e a mulher foi colocada em um papel de subserviência, tudo atrelado a ela também foi.
Ao longo da história, muitas profissões foram colocadas em uma caixinha dita como feminina, como a programação. Entre 1940 e 1950, a profissão era considerada feminina, porque escrever instruções para máquinas parecia, naquela época, uma extensão do trabalho administrativo e de cálculo que mulheres já faziam em escritórios e laboratórios. Mas quando houve a crescente dos vídeo games nos anos 90, jogos esses que retratavam violência e lutas, as mulheres foram desencorajadas da profissão.
A princípio isso parece um fenômeno que afeta somente mulheres, porém os homens também são afetados. Segundo Charles V. B. S. Souza, em seu artigo “Concepções de Masculinidade Hegemônica como Mediadora do Sexismo Direcionado às Mulheres”, a masculinidade, muito mais do que a feminilidade, é vista como um status incerto, que deve ser conquistado continuamente, porque pode ser perdido a qualquer momento.
Um exemplo é quando em uma roda onde estão somente homens, o termo “mulherzinha” ou “menininha” é utilizado como um xingamento extremamente depreciativo, um homem considerado afeminado sofre, por não se enquadrar.
Mas para se encaixar dentro do ideal de masculinidade, é necessário saber delimitar o que não se adequa, o que acaba causando repulsa e às vezes até ódio e violência.
E chegamos ao ponto principal, os gostos femininos.
O estereótipo de que o homem é a razão, e a mulher o sentimento, está presente até nisso. Dessa forma, hobbies que em sua maioria são atrelados a sensações, sentimentos, curiosidade e até criatividade, acabam sendo considerados fúteis.
Quando mulheres gostam de algum tipo de música, filme a qualidade daquilo vai ser contestada. A verdadeira validação acontece quando aquilo estoura a bolha, e críticos avaliam aquilo, como mencionado por Laura Saldinha em seu texto, “Desvalorização do que é “feminino”.
Existe uma enorme discrepância entre a cultura de fã masculina e feminina, mulheres são fãs histéricas e homens simplesmente gostam de algo. Isso é algo que pode ser mudado a lentos passos, porém só quando a vontade de mudança começar.





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