No dia 25/03 (quarta-feira) foi divulgada a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados informam que no ano anterior à pesquisa, 15,3% das adolescentes entre 13 e 17 anos de idade deixaram de ir à aula ao menos um dia por conta da falta de absorvente. Na rede pública 16,9% das alunas da rede relatam ter faltado às aulas por esse motivo, mais do que o dobro do relatado em redes de ensino privadas (6%).
A pobreza menstrual se configura na falta de acesso a itens de higiene como absorventes descartáveis, absorventes de tecido reutilizáveis, coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, entre outros. Além da falta de acesso à informação sobre a menstruação, pouco ou nenhum acesso a medicamentos e serviços médicos e falta de estrutura como banheiros em boas condições, saneamento básico e coleta de lixo.
Em março de 2023 o governo federal instituiu o Programa de Dignidade Menstrual, que desde janeiro de 2024 oferece absorventes gratuitos por meio da Farmácia Popular. O programa também visa conscientizar a população sobre a menstruação.
Para ter direito aos absorventes gratuitos é preciso ter entre 10 e 49 anos, ter inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e atender a um dos seguintes critérios: viver em extrema vulnerabilidade social (renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa); ser estudante de escola pública com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa; estar em situação de rua, sem limite de renda.
Entre 2024 e 2025 o programa distribuiu 240,3 milhões e beneficiou 2,1 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de baixa renda em todo o Brasil, tendo o maior número de pessoas atendidas na Bahia, Ceará e Pernambuco, totalizando 34,5% de todos os beneficiários.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realizou em maio de 2024 uma enquete com o tema dignidade menstrual com 2.227 respondentes. 1.694 pessoas responderam se já faltaram à escola ou ao trabalho por causa da menstruação, das quais 33% disseram já ter faltado várias vezes e 27% relatam ter faltado uma única vez. E de 1.676 pessoas questionadas, 44% dizem não conhecer o Programa de Dignidade Menstrual do governo federal.
Segundo o relatório “Pobreza Menstrual no Brasil” da UNICEF e do UNFPA: “Como consequência desse insuficiente ou inadequado manejo da menstruação podem ocorrer diversos problemas que variam desde questões fisiológicas, como alergia e irritação da pele e mucosas, infecções urogenitais como a cistite e a candidíase, e até uma condição que pode levar à morte, conhecida como Síndrome do Choque Tóxico”.
A saúde mental também é afetada, a pobreza menstrual pode levar a situações estressantes, desconforto, vergonha e constrangimento. No Brasil existem diversas ONGs (Organizações Não Governamentais) que atuam no combate à pobreza menstrual, como o Projeto Absorver, que atua em São Paulo e Goiás, e o projeto Sangue É Sangue, que atua em Campinas e Taubaté. As ONGs fazem doações de kits de higiene e algumas também promovem educação sobre saúde íntima.





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