O luto ocorre quando existe uma perda, de qualquer natureza, na vida de uma pessoa. Junto dele vem sentimentos como tristeza, angústia, dor, saudade e até mesmo raiva. Isso acontece pois quem está enlutado está passando por um processo de readaptação da realidade.
É comum que quando se pense em luto associe ele a morte de alguém querido, mas não necessariamente o luto acontece apenas nesses casos. Ele se dá com a quebra de um vínculo, é possível sentir luto pelo fim de um relacionamento ou por uma demissão do trabalho, além disso, o luto também ocorre no caso de perdas não físicas como abrir mão de um sonho, por exemplo.
O luto pode se apresentar de diferentes maneiras a depender da situação e do indivíduo. A idade e o tipo de perda são fatores que influenciam em como cada pessoa passa por esse momento. “Se falarmos, por exemplo, da morte da mãe, vai ter uma diferença enorme se é uma criança de 5 anos ou uma pessoa de 50 anos. Depende também de qual foi a natureza do trauma da perda, do momento e das condições daquele indivíduo” afirma o chefe do serviço de psiquiatria da infância e adolescência, do Instituto de Psiquiatria, do HCFMUSP, Dr. Guilherme Polanczyk.
Existem diversos tipos de luto, alguns deles são:
Antecipatório – Quando se passa pelo luto antes de passar pela perda.
Abreviado – Quando se passa pelo luto de maneira mais rápida que o comum. Normalmente vem após o luto antecipatório.
Tardio – Ao invés de sentir as emoções do luto logo após a perda, a pessoa as sente dias, semanas ou até meses depois.
Inibido – Ocorre quando os sentimentos do luto são reprimidos, nesses casos eles podem se tornar sintomas físicos como insônia.
Cumulativo – Quando a pessoa lida com mais de uma perda ao mesmo tempo.
Coletivo – O luto normalmente é um processo individual e pessoal, porém em casos de grandes eventos como guerras e desastres naturais que geram grandes perdas, é comum grupos de pessoas ficarem enlutados.
As 5 Fases do Luto
“O preço que pagamos por amar alguém”.
É assim que a professora de psicologia e psiquiatria, Mary-Frances O’Connor, define o luto.
No livro “Sobre a morte e o morrer: O que os doentes terminais têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes” a autora Elizabeth Kubler-Ross descreve as 5 fases do luto. No livro ela entrevista pacientes com doenças terminais que estão em luto pela sua própria vida, no entanto, as 5 fases descritas podem ser aplicadas a diversos tipos de perda.
1º fase – Negação
Em um primeiro momento a pessoa pode ter dificuldade em aceitar a perda e entra em estado de negação como um mecanismo de defesa.
2º fase – Raiva
Nessa fase podem surgir sentimentos de raiva, frustração e ressentimento. Esses sentimentos podem ser direcionados à pessoa que morreu, as pessoas que não foram capazes de salvar o seu ente querido, Deus e até a si mesmo.
3º fase – Barganha
Nesse momento a pessoa busca negociar a perda, buscando uma maneira de evitar a situação ou de amenizar a dor. Um exemplo é deixar de frequentar os lugares que costumava ir junto da pessoa que se foi.
4º fase – Depressão
Essa fase apresenta sentimentos de tristeza profunda, desespero e desesperança.
5º fase – Aceitação
A última fase é caracterizada pela compreensão e aceitação da perda.
Em uma pesquisa de 2018 realizada Studio Ideias e pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), 82% afirmam concordar com a frase “não tem nada mais sofrido e dolorido que a dor da perda”.
Sintomas do Luto
É comum que durante o processo de luto apareçam sintomas físicos, bem como alterações de comportamento e mudanças cognitivas. Isolamento social, mudança no padrão de sono e apetite, sonhos envolvendo a situação e sensação de desânimo são alguns exemplos.
Já os sintomas físicos podem envolver vazio no estômago, nó na garganta, boca seca, maior sensibilidade a barulhos, senso de irrealidade, pouca energia, fraqueza muscular, dificuldades para respirar, dores no peito e palpitações. Os dois últimos se parecem com sintomas de infarto, e receberam o nome de síndrome do coração partido.
Luto Prolongado
Apesar do luto ser um processo saudável, em alguns casos ele pode se tornar um transtorno quando se estende por longos períodos, dificultando a retomada aos afazeres do dia a dia. Esses casos são chamados de luto complicado o prolongado e dependem da intensidade, frequência e duração das reações à perda.
A partir de 2022 o luto prolongado passou a ser considerado um transtorno mental pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) na nova versão do manual de diagnósticos de transtornos mentais e pela Organização Mundial da Saúde na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
Segundo as estimativas da médica Katherine Shear, que dirige um centro de pesquisas sobre esse distúrbio na Universidade Columbia, nos EUA, o quadro afeta entre 3% e 20% das pessoas que perderam alguém importante.
O luto prolongado apresenta sintomas parecidos com o da depressão e ansiedade, a única diferença sendo o gatilho da dor.
O Que Fazer Durante o Período de Luto
As emoções desse momento precisam ser sentidas e absorvidas, mas é possível ter algumas atitudes que ajudem a lidar com o processo, como praticar exercícios, falar com um psicólogo, seguir uma rotina ou criar uma nova e conversar com outras pessoas.
Rituais de despedida como funerais e velórios também ajudam, pois nesse momento é quando se tem mais liberdade para chorar e extravasar suas emoções. Eles também são uma oportunidade de se estar próximo dos familiares e amigos, formando uma rede de apoio mútuo e uma maneira de enfrentar a dor de forma coletiva.
Dicas Para Ajudar Alguém Que Está Passando Pelo Luto
- Oferecer suporte e ajuda;
- Estar presente;
- Oferecer escutar sobre os sentimentos de quem está de luto;
- Não minimizar a perda da pessoa.






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