Neste mês foi publicada a primeira edição de âmbito nacional do Mapa Autismo Brasil (MAB), que reúne informações e dados sobre o autismo no país. A pesquisa mostra que cerca de 72,1% dos autistas são crianças e adolescentes, 27,6% são adultos e apenas 0,3% são pessoas idosas. O baixo número de adultos e idosos demonstra as barreiras e dificuldades do diagnóstico nas décadas anteriores. 

Por outro lado, estudos de revisão do JAMA Pediatrics apontam que a interação entre a vulnerabilidade genética e fatores ambientais modernos, como a idade parental avançada, exposição a poluentes atmosféricos e mudanças epigenéticas durante a gestação, contribuem para o crescimento efetivo do número de casos nas últimas décadas.

Dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 2,4 milhões de brasileiros receberam diagnóstico de autismo, sendo que o maior número de diagnósticos é entre crianças de 5 a 9 anos.

Segundo o Ministério da Saúde: “O Transtorno do Espectro Autista – TEA é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos. O termo “espectro” indica que o autismo se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, desde quadros leves até casos que exigem maior apoio no dia a dia”.

Atraso na fala, dificuldade para manter o contato visual e sensibilidade sensorial são alguns dos sinais do TEA, outros sinais também envolvem: movimentos repetitivos, foco em interesses específicos, seletividade alimentar, resistência a mudanças e pouco interesse por interação social.

“Quanto antes o autismo é identificado, maiores são as chances de estimular habilidades fundamentais, como comunicação e interação social. O cérebro infantil tem uma plasticidade enorme, e isso faz toda a diferença”, explica a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em autismo. 

Para o médico geneticista Dr. Paulo Zattar Ribeiro, especialista em doenças raras, o olhar atento da família é essencial. “Embora o autismo não seja uma doença rara, ele compartilha com essas condições o desafio do diagnóstico tardio. Muitas famílias passam anos em busca de respostas, quando o ideal seria identificar sinais já nos primeiros anos de vida”

O diagnóstico tardio ocorre quando uma pessoa é diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) somente na fase adulta. Isso acontece principalmente com autistas de nível 1 de suporte, aqueles que precisam de menos apoio no dia a dia. 

A psicóloga Roberta Nassar Navarro da Silva é mãe do Bento, um garoto autista de nível 1 de suporte, que recebeu o seu diagnóstico aos 4 anos. Ela conta que agora com o tratamento o Bento consegue expressar melhor as suas emoções. 

“Quando ele era menor, às vezes ele não conseguia dizer que estava bravo ou triste por determinado motivo. Hoje, dois anos depois que ele começou o tratamento, eu percebo que ele já consegue me dizer muitas vezes por que que ele está sentindo uma determinada emoção. Ele consegue nomear melhor”, explica Roberta. 

A psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan destaca que o processo diagnóstico deve ser multidisciplinar e acolhedor. “O autismo não é uma sentença, é uma forma diferente de desenvolvimento. O diagnóstico bem feito e conduzido ajuda a criança a acessar recursos e apoio adequados, além de orientar a família sobre caminhos possíveis”. 

Para Natália Lopes, fundadora do Voz das Mães, a jornada ainda é marcada por desafios, mas também por transformação. “A informação muda tudo. Quando a família entende o autismo, ela deixa de viver no medo e passa a atuar com mais segurança e protagonismo na vida da criança”.

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