A antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) mudou de nome e agora passa a se chamar de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Em 12 de maio de 2026, um consenso global publicado no periódico científico The Lancet propôs a mudança do nome, visando demonstrar que a doença envolve o metabolismo inteiro, não apenas os ovários.

O antigo nome e a maneira como a doença foi divulgada durante anos traziam confusão para a população que acreditava que a condição afeta apenas os ovários. A nova nomenclatura vem para reforçar que a SOMP está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica, risco cardiovascular e impactos importantes na saúde emocional e metabólica das mulheres.

De acordo com a ginecologista Karoline Prado, a antiga nomenclatura acabava limitando a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto fora do meio médico: “Muitas mulheres acreditavam que a síndrome se restringia aos ovários ou apenas à irregularidade menstrual. A nova definição ajuda a mostrar que estamos falando de uma condição sistêmica, que envolve metabolismo, hormônios e diversos impactos na saúde feminina”, explica.

Outro equívoco frequente é associar automaticamente o diagnóstico ao resultado do ultrassom, além dele, também são realizados exames de sangue para a dosagem de hormônios, por exemplo.

“O diagnóstico não depende apenas da presença de ovários policísticos no exame. Avaliamos também alterações hormonais, sintomas clínicos e irregularidade menstrual. Existem mulheres com ovários policísticos sem a síndrome e pacientes com a síndrome mesmo sem alterações importantes no ultrassom”, afirma Karoline.

Apesar da mudança de nomenclatura, os critérios para diagnóstico e o tratamento permanecem os mesmos. Entre os sinais mais comuns da SOMP estão:

  • menstruação irregular;
  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • dificuldade para emagrecer;
  • queda de cabelo;
  • resistência à insulina;
  • alterações metabólicas;
  • dificuldade para engravidar.

A especialista também chama atenção para os impactos emocionais da condição, frequentemente negligenciados durante o diagnóstico e tratamento. “Muitas pacientes chegam ao consultório emocionalmente exaustas após anos tentando entender sintomas que pareciam desconectados entre si. Alterações corporais, acne, ganho de peso, infertilidade e oscilações hormonais afetam diretamente autoestima, ansiedade e qualidade de vida. A síndrome precisa ser vista de forma integral”, destaca.

É importante se atentar aos sintomas e sempre procurar ajuda médica ao invés de se autodiagnosticar com base em conteúdos de redes sociais, como alerta a ginecologista: “O excesso de desinformação faz muitas mulheres acreditarem que qualquer alteração menstrual significa síndrome. Informação correta e avaliação médica adequada continuam sendo fundamentais para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, finaliza.

Apesar de não existir cura definitiva, a SOMP pode ser controlada com acompanhamento individualizado, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle metabólico e tratamento hormonal quando necessário.

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