Um engenheiro do Google foi preso nos Estados Unidos sob acusação de utilizar informações confidenciais da empresa para obter lucro em apostas realizadas na plataforma Polymarket. Segundo autoridades americanas, Michele Spagnuolo teria usado dados internos aos quais teve acesso por meio de seu trabalho para prever resultados com grande precisão e faturar cerca de US$ 1,2 milhão, o equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.
Apesar de ser cidadão italiano e morar na Suíça, Spagnuolo foi detido em Nova York na última quarta-feira (27). A acusação foi apresentada pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, que investiga o caso em parceria com o FBI.
De acordo com os documentos judiciais, o engenheiro teria acessado materiais de marketing e dados estratégicos do Google antes de sua divulgação pública. Essas informações permitiriam prever tendências e resultados relacionados à empresa, criando uma vantagem significativa em mercados de apostas.
O Google informou que está colaborando com as autoridades e colocou o funcionário em licença. Em nota, a empresa afirmou que, embora os materiais utilizados estivessem disponíveis para funcionários, o uso de informações confidenciais para fins de apostas representa uma violação grave de suas políticas internas.
As apostas foram realizadas na Polymarket, plataforma baseada em blockchain que permite aos usuários apostar em eventos futuros utilizando criptomoedas. A empresa também declarou estar cooperando com as investigações e destacou que as transações registradas em blockchain são transparentes e rastreáveis.
Segundo o FBI, Spagnuolo utilizava diferentes contas para realizar as apostas, mas acabou sendo identificado por meio de uma conta vinculada a um documento de identidade italiano. Entre outubro e dezembro de 2025, ele teria movimentado cerca de US$ 2,7 milhões em apostas relacionadas ao Google.
Uma das operações mais lucrativas envolveu previsões sobre quem seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025. Os investigadores afirmam que Spagnuolo apostou em resultados considerados improváveis pelo mercado e acertou graças ao acesso antecipado aos dados da empresa.
As autoridades americanas consideram que o caso se enquadra em violações das leis de abuso de informação privilegiada, prática semelhante ao uso de informações confidenciais para obter vantagens no mercado financeiro. O engenheiro foi liberado após pagamento de uma fiança de US$ 2,25 milhões e deve responder ao processo na Justiça dos Estados Unidos.
O episódio reacende o debate sobre o uso indevido de dados corporativos e os desafios de fiscalização em plataformas de apostas digitais, especialmente aquelas baseadas em criptomoedas.






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